quarta-feira, 29 de outubro de 2008

a dança do miudinho :: ensaio :: essay

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direção, imagem e montagem [anna azevedo]

e vem aí...histórias da geral :: comming soon :: supporter tales [trailer]

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>play it!

filme sobre os geraldinos. imagens exclusivas e inéditas das partidas que deram adeus à geral do maracanã (campeonato carioca de 2005). nada mais apaixonado, louco, desvairado, sofrido, alegre e carnavalizado do que torcer pelo time do coração grudadinho ao gramado, podendo gritar e ser ouvido em campo: quase um técnico; ou correr pela geral acompanhando as joagdas, ser quase o 12o. jogador em campo. todo geraldino tem muitas histórias pra contar.

in brazil, two hundred million people passionately support a single sport: soccer. in the whole history of world sports, there is nothing more passional, dramatic, visually striking or exciting from the point of view of sound and image than this national phenomenon. a film about supporters. 'cause being a football fan in brazil is a theatre performance. we will track down and investigate this drama.

direção e roteiro [anna azevedo] lançamento [segundo semestre 2009]

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

criança, aprendi que havia o mundo

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esta minha viagem ao irã foi recheada de flashes de memória: imagens que coloriram a minha infância e me fizeram crescer sabendo que havia muito mundo por aí. emulsionadas dos cartões postais das viagens do meu pai por lugares com nomes enigmáticos, mágicos, saborosos: líbano, marrocos, le havre, tânger...de costumes estranhos, mas com certeza divertidos - aos olhos pueris - como andar de camelos, praias com casinhas na areia, lenços na cabeça, luzes, luzes, sol, sol...tudo em cores fortes, retocadas, maravilhadas. neste mundão, não havia castelos: eram cartões de lugares que estavam mais para as mil e uma noites do que para contos de fada. em teerã, a minha memória voltou a abrir o álbum de viagem do meu pai, folha a folha amarelada com o passar destes mais de 30 anos, durex já sem a cola...mas grudados estão, para sempre, alguns destes postais na minha retina - em seus detalhes. certamente não é à toa que cresci com sonhos de deserto e tapetes voadores...
aqui estão alguns destes deliciosos postais que ajudaram a decorar a minha infância. estes são de 1972.

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e o mundo, pra mim, era algo assim: líbano & marrocos

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**********líbano ****************************** marrocos e beirute (líbano)
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**********************************************************tânger (marrocos)
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...sengeal & canárias

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senegal **************************************ilhas canárias

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...esta flor, este gato

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lisboa e portsmouth (uk)
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...esta estranha combinacao: casaca e balde d`agua

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hamburgo [alemanha]
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...era solar e musical

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barcelona
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...e ainda bem que não havia mais guerras (poor kid)

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a vitória de aquiles

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

teerã :: a capital se espalha em cinza

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teerã: cinza, poluída e bacana***********************************azadi tower:ícone local

latitude 35°41 n; longitude 51°25 e: teerã é uma cidade espalhada ao sopé da cadeia de montanhas de alborz. a esta época do ano, já estaria rodeada por pinceladas de neve. mas não estava. dizem que a culpa é do tal do aquecimento global! está a 1.190 metros acima do mar. e sua montanha mais alta atinge 5.610 metros - daí a neve! são 14 milhões de pessoas contando com a área metropolitana, 1.500 quilômetros quadrados e a metadae das indústrias do país estão ali. resultado: prédios. poluição. calor. umidade zero. clima desértico. cidade cinza. trânsito sem eira nem beira. lembra são paulo. sem o luxo da avenida paulista. até mesmo os edifícios neo clássicos da capital paulistana a gente vê por lá, nos bairros de classe média. tem iraniano andando pelas ruas com proteção contra poluição! as distâncias são enormes. e o rush hour, em teerã, deve ser levado a sério. não saia de casa, não vá para lugar nenhum a menos que seja estritamente necessário. caos é adjetivo plácido para o trânsito em teerã. nada das ruínas históricas, nada dos coloridos dos mosaicos persas. só nos museus. por que será, então, que a gente se encanta com teerã? deve ser mais um desses mistérios orientais...a verdade é que, pelo menos brasileiro, por lá se sente em casa. parece o brasil. só falta falar português ou a gente falar farsi. dispenso os lenços, o shador, aquele monte de pano preto que cobre as mulheres dos pés à cabeça: no calor, aquilo é pecado! no inverno também. tem alguns palácios, alguns bons jardins. mas arquitetonicamente a cidade é pobre. a graça fica por conta do contraste entre a modernidade e a política religiosa. entre o que é proibido nas ruas e o que é permitido dentro das casas. entre as fantasmagóricas vestimentas negras e a modernidade das jovens, todas lindas, bem maquiadas, com suas mantas ajustadas ao contorno do corpo, os rapazes super descolados, as festas particulares onde bebidas - terminantemente proibidas no corão - chegam em domicílio com a mesma facilidade que, por aqui, a gente pede uma pizza. é preciso estar lá para ver e sentir a tensão entre o novo e o velho; o rigor político-religioso e a modernidade que viceja nas ruas.


*****montanhas de azadi: o anúncio diz cable car, ou seja, teleférico. mas a gente não encontrou nada!********************

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i've been there. and i loved it!

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festival cinema verité

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cinema falestin (detalhe da máscara anti-poluição no rosto da moça) & "dreznica" com legenda em farsi

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foram sete dias e sete noites em teerã, capital da república islâmica do irã. sete ótimos dias participando do ii cinema verité - festival internacional de cinema documental do irã. dreznica era o único filme brasileiro em competição. convidados do mundo todo, no total de 90. alguns são especiais: o 'pai' do cinema direto americano, richard leacock, e a legenda dinamarquesa, jorgen leth estavam lá. vocês já viram isto antes, aqui neste blog? sim, o primeiro no "hotdocs", o segundo no "é tudo verdade". festival político. durante o festival do rio o cineasta iraquiano kassin adib ("depois da guerra de bagdá") me disse que havia sido convidado para o cinema verité, mas que não enviaria seu filme, pois não queria que sua obra fosse usada como propaganda anti-americana. nem sei o que o meu dreznica com tantos sonhos azuis fazia entre bombas e separações. mas estava. e ainda bem que estava, amei estar ali! com tantas guerras em tela, parece que dreznica caiu como um oásis no deserto. erraram feio na projeção, com uma beta zero quilômetro em mãos projetaram um dvd de quinta, foi um desastre, pixels em tela, falta de som em alguns momentos, mas, para a minha surpresa, o público amou o filme e eu fiquei aliviada depois daquele desastre em tela grande. o qg do festival foi o cinema falestin, um prédio como os nossos antigos cinemas de rua, com 3 salas com capacidade média de 400 lugares. neguinho vacilou muito nas projeções, teve filme sendo encerrado antes do fim etc e tal. mas foi absolutamente bom estar em teerã. um país com uma população meio jóia rara - como o cartaz do festival, repleto de pedras preciosas. se não fossem os acessórios muçulmanos, poderia dizer que estava no brasil. e filmaria pelas ruas sem medo de alguém roubar a minha câmera: lá é guilhotina na certa!
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a tradição :: elas

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de branco, uma noiva entra no lobby do meu hotel para sua noite de núpcias: rosto todo encapuzado.
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menianas fofas, com suas bolsas moderninhas, hello kit, snoopy etc - excursão de colégio ao palácio golestan.
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a tradição :: eles

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a tradição :: os bazares

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bazar da sexta-feira, dia sagardo para os muçulmanos, o equivalente ao domingo para os cristãos. é quando tudo está fechado - ou quase tudo. este se assemelha a uma feira de antigüidades e quinquilharias sem muito charme. o melhor, mesmo, é o grande bazar, 13 quilômetros de labirintos e coisinhas mil. parece o saara, no rio, só que fechado.
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a tradição :: os mosaicos

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pena que se encontre tão poucos mosaicos em teerã. onde foi parar a história persa, a tradição dos grandes mosaicos que vemos nos museus? falta isto a cidade: derramar cores nos prédios.
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marketing de guerra

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"down with usa and israel" ************************** "they stood so that we could remain"

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o que há em comum entre o interior de um palácio e um carro alegórico?

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palácio golestan 88888888888888 ******************* saba cultural & artistic institut
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há na decoração dos palácios de terrã construídos no século 19 algo que se assemelha com a cultura carnavalesca carioca. a mistura de estilos chega a ser admirável. mosaicos de espelhos são presença obrigatória nos palácios. tapetes persas, claro. e tudo o mais o que aparecer: chifre de elefante, arte naïf persa, pintura clássica européia, barroco, enfim, joãozinho trinta precisa fazer um tour por esses palácios para se reciclar! do lado de fora, geralmente, os sempre lindos mosaicos de azulejos coloridos. dentro, bem...manda quem pode, obedece quem tem juízo!
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niavaran palace - onde a gente encontra um consultório de dentista (!) e retratos de mao, hitler, dos parlevi, enfim: uma turma da boa! como se diz em quebéc: je me souvien...
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it's the end of the world as you know it and i feel fine...

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ó: os trabalhos acima são de iranianos, são os próprios que estão falando sobre o quão caótico é o trânsito local, não é a gringa aqui, não!! até porque quem somos nós, cariocas, para falar de trânsito alheio. mas acho que no caso de teerã dá pra se escandalizar, sim. confesso: tive medo! é algo assim, sem eira nem beira, o tal do trânsito em teerã. é de quem enfia o focinho primeiro. e o pedestre não pode se fazer de rogado, ganha o jogo quem não bater em ninguém, quem não atropelar ninguém, quem freiar a um suspiro da colisão, quem conseguir posicionar o carro na frente do outro. sinal vermelho, faixa de pedestre? esqueçam! a gasolina é barata - o país tem petróleo - mas não há carros modernos nas ruas - com raras exceções. os cartuns fazem parte de uma exposição sobre o trânsito de teerã e está exposta na house of artist, um centro cultural muito bacana, com trabalhos dos jovens e antenados artistas iranianos.
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